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Quanto custa a atlética?

Destrinchando os gastos da maior entidade da São Francisco (depois do XI)

Por Bruno Carvalho

Gráficos por Rafael Lincoln

A atlética é, sem dúvidas, a maior entidade da SanFran. Conforme dados apurados junto a gestão atual e a anterior, a AAA possui entre 300 e 350 atletas – se contabilizada a Baisf – os quais formam 26 equipes esportivas femininas e masculinas, 18 técnicos e dois empregados CLTistas ligados a entidade (com todos os encargos trabalhistas em dia). Além disso, a atlética configura-se como organizadora das maiores festas franciscanas, tais como FICA e SanFea, maior vencedora dos jogos jurídicos estaduais sendo responsável, em média, pelo deslocamento 1000 estudantes anualmente para as cidades que sediam os jogos, além de ser, atualmente, administradora do campo do XI.

Entretanto, o leque de atividades que atribui tamanha grandeza à entidade não é mantido somente por meio da dedicação, talento, esforço e imensa paixão pela São Francisco. Conforme a prestação de contas mais completa, referente ao ano de 2014 (a do 2015 apenas consta despesas), apurou-se que o montante movimentado pela atlética é muito superior ao imaginado.

Segundo os documentos, as principais fontes de receitas atleticanas são o repasse do CA (repasse direto + aluguel do estacionamento), a locação de quadras para o público externo (quadra de tênis e rugby), além de receitas extraordinárias e repasse de custas do campo. No ano de 2014, o quinhão destinado a atlética conforme o contrato de divisão de verbas foi de R$ 202.424.  Essa quantia é constituída pela soma do repasse direto do CA (R$ 22.424) mais o valor do aluguel do locatário do estacionamento (R$180 mil), que é recebido diretamente pela atlética em troca de um repasse menor do Fundo do XI.

Isso posto, a segunda maior fonte de receitas da Atlética é a locação das quadras (quadra de tênis e campo do rugby). Tais locações são celebradas com o locatário da quadra de tênis e o time de Rugby Bandeirantes. Mensalmente, o locatário das quadras paga R$ 8340 e o time Bandeirantes, R$ 7438 referentes aos aluguéis, sendo que há  uma condição vinculada ao contrato celebrado com a equipe de Rugby –  parte do montante deve ser investido na manutenção do espaço alugado. Contudo, conforme apurado na prestação de contas de 2014,   apesar de a entidade ter recebido o valor total estipulado, a fração investida na manutenção foi inferior àquela acordada. Sendo assim, de R$: 150 mil brutos( quadra de tênis e campo de rugby), a AAA recebeu R$: 130.000,00 líquidos para investir e cobrir seus gastos( 100 mil reais da quadra de tênis, 50 mil do campo de rugby, deste valor os gastos com manutenção foram de 20 mil). Além disso, apurou-se que no mesmo período, o XI repassou R$ 30.000,00 à Atlética para a realização da manutenção do campo.

As receitas extraordinárias totalizaram pouco mais de R$ 35 mil obtidos com festas, venda de produtos personalizados, competições universitárias, etc. Somando todo o dinheiro oriundo do repasse e patrimônio do XI (como a locação das quadras de tênis e rugby), a AAA recebeu pouco mais de R$ 416 mil anuais – sem contar o dinheiro de receitas extraordinárias que equivalem a menos de 10% do orçamento da entidade.

Mesmo recebendo este montante de recursos, engana-se quem imagina que a entidade poupa muito dinheiro. Conforme afirmou o atual tesoureiro em entrevista Arcadas, historicamente a situação financeira da entidade é de estagnação. Ela não tem aumento de receitas e tampouco déficits recorrentes: os aumentos de receitas e prejuízos são conjunturais e se estabilizam ao longo do ano.

Os gastos da entidade são com salário com técnicos e funcionários da entidade, locação de quadras especiais poliesportivas, manutenção do campo do XI, impostos e taxas bancárias, despesas de telefone e “outros”. (vide gráfico).

No ano de 2014, os técnicos, maior gasto da AAA, custaram para a entidade mais de R$ 100 mil para todas as modalidades. O segundo maior custo foi a locação de quadras para os atletas: R$ 99 mil. Mensalmente a locação de quadras para os atletas custam 9 mil reais, exceto em meses de férias. Três quadras são alugadas pela AAA e responsáveis por estes gastos: Mauro Pinheiro (R$ 4000), AASP (R$ 3000) e Centro Olímpico ( R$ 2087). Todas são locadas por hora. Normalmente, as horas de locação somam 92 por mês, com custo que varia entre R$ 62,5 a R$ 261 por hora.

Somando todos os gastos, a AAA gastou mais de R$ 330 mil. Na pesquisa do jornal Arcadas uma das metas originais da equipe era descobrir quanto que a atlética recebeu desde a vigência do atual contrato de divisão de verbas, contudo por demandar “tempo e muito trabalho”, segundo o atual tesoureiro do XI, e a atlética não ter prestações de contas anteriores a 2014, não foi possível obter esta informação até o fechamento desta edição. Todavia, em entrevista para o jornal Arcadas, um dos ex-presidentes da atlética, contou que somando o repasse do CA mais as receitas com a locação de quadras do campo do XI desde o período que era calouro até hoje, pode-se estimar que em 5 anos a atlética recebeu mais de R$ 1 milhão.

Para efeito de comparação, o custo por atleta durante um ano é maior do que o de um morador da Casa dos Estudantes. Se considerados todas as receitas advindas tanto dos repasses do CA quanto os com quadras do Campo do XI, o gasto em 2014 varia entre R$ 1387 se considerados 300 atletas, ou R$ R$ 1189 para 350 atletas, enquanto o gasto com um morador da casa foi de R$ 677 no mesmo ano. Mesmo que se considere exclusivamente o valor gasto com esportes: técnicos, quadras e gastos com Campo do XI -, o custo ainda é maior – R$ 919 para 300 atletas e R$ 717 para 350.

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